Mostrando postagens com marcador coluna da tati. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coluna da tati. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Coluna da Tati: Ninguém ama para sempre?

Pensei em começar esse texto falando sobre algo que li há uns três dias e que de cara já trazia no título a afirmação mais pesada que eu já vi por aí: "ninguém ama para sempre".
Eu realmente queria muito fazer uma crítica sobre o que li nesse texto. Gostaria de falar o por quê de achar o título um tanto quanto equivocado, um tanto quanto pretensioso. Mas, ao decorrer da minha leitura eu percebi que eu poderia ter escrito aquilo. Os parágrafos não passavam de grandes desabafos de alguém que precisava colocar para fora o turbilhão de sentimentos e os rastros das dores que latejavam por dentro. Como eu poderia criticar a dor de alguém? Eu me compadeci, abracei essa amiga em pensamento e pedi para que o peso da carga que ela carrega não fosse tanto a ponto de fazer seus joelhos dobrarem em desistência.
Por um grande acaso, um dos melhores acasos - ou quem sabe se não foi um sopro de Eros - após fechar a página, eu desci o feed do meu Facebook e me deparei com uma espécie de vídeo-resposta ao que eu acabara de ler. Aquele VÍDEO é exatamente a mão iluminada da esperança quando tudo no que você acredita se torna pó, além de uma das declarações mais belas que eu já vi.
Estamos naquele fatídico momento em que a bela noiva, que acabara de fazer juras em prol do "amor eterno", vai jogar o seu lindo buquê para que, segundo a tradição, alguma de suas convidadas seja agraciada, em meio a pontapés, empurrões, vestidos pisados, cotoveladas, e se torne a vencedora pela corrida do "quem será a próxima?". Seria só mais um vídeo de casamento, se a atitude da noiva seguinte ao "três e já" não fosse a diferença e o start para um linda história. Ela se virou e entregou o buquê de rosas brancas à sua amiga, que em surpresa tinha aos seus pés seu namorado, fazendo o pedido de casamento mais autêntico e emocionante que eu já vi.
As sucessivas atitudes belas me fizeram ver e rever algumas boas vezes o vídeo. A amiga abrindo um espaço nos holofotes de sua grande noite para surpreender aquela menina de cabelos longos que não fazia ideia do que esperava. O futuro noivo, que provavelmente estava em pânico por dentro mas mesmo assim seguiu com os planos até o fim. A reação (ou a falta dela) da garota ao se ver protagonista daquele momento. O abraço coletivo dos recém-casados e dos futuros noivos. O provável momento em que os futuros noivos se tornaram recém-casados e a outra história se sucedeu quando ela jogou o buquê no "já".
Agora você se pergunta: ok, mas o que essa história tem a ver com o texto anterior? Bom, é simples, a antítese entre os dois momentos é exatamente o que os torna tão próximos e ligados.
Nas entrelinhas do "ninguém ama para sempre" da autora do texto, eu vi o desespero tão concreto e pesado, carregado de uma história da mesma forma quente e fria, cheia de altos e baixos, pesada e maciça. Nos três minutos do vídeo eu vi uma fase tão bonita de se apreciar, que deu até gosto de ser expectadora. Sabe quando você sente-se feliz por ver alguém tão feliz? Pois é... Foi doce de assistir, de apreciar. Mais ainda, foi reconfortante imaginar que aquela garota poderia ter escrito aquele texto em algum momento da vida. Dos altos e baixos, do peso sobrecarregando as costas, dos amores nocivos, dos desamores que vem e vão. É reconfortante saber que o eterno depende do ponto de vista. Eu realmente acredito que o infinito cabe nas pequenas coisas. Me desculpem os que concordam que ninguém ama para sempre, eu discordo totalmente. Para que medir o sempre em um enorme espaço de tempo se é muito mais leve carimbá-lo nos momentos simbólicos?!
Sempre é caminhar um dia após o outro. É amar sem medidas e sofrer sem escrúpulos. A dor só é eterna até o fim do dia. Cabe a você renová-la na manhã seguinte ou deixar para trás. E por que esperar por uma eternidade se o infinito pode ser finito ao fim do mesmo dia?
Me desculpem mais uma vez, mas entre amar para sempre e renovar o amor sempre, eu prefiro ficar com o segundo e ir eternizando minha felicidade, do que me amargurar com a frustração das desilusões que eu já sofri.
Todo ponto de vista, é a vista de um ponto. E... As rosas daquele buquê secaram, mas os jardins florescem o tempo todo.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Coluna da Tati: It stay Yoncé, your Yoncé

A coluna dessa semana é especial para falar de DIVA e da minha cantora solo preferida!
Na última sexta-feira foi dia de comemorar a 34ª primavera da diva suprema da música pop. 
Cantora, produtora, compositora, atriz, coreógrafa, empresaria, esposa do Jay, mãe da Blue, rainha das bees e dona da voz mais potente que esse mundo pop já conheceu. 
Nascida em Houston, no Texas, em 4 de setembro de 1981, Beyoncé Knowles iniciou sua carreira musical ainda criança, mas ganhou fama e conhecimento somente em 1997 como líder da girl band, Destiny's Child, ao lado de sua prima Kelly Rowland (when love takes oveeeeer, iêh <3). Emplacando vários sucessos, as Destiny's imortalizaram o início dos anos 2000 com singles marcantes como Survivor e Say My Name, na voz arrasadora de Bey. Em 2006 o grupo se desfez, abrindo portas para uma nova fase na vida da Queen B. 
Com a carreira solo, ela lançou seu primeiro álbum ainda quando fazia parte das Destiny's, em 2003 emplacando de cara a canção Crazy in Love que até hoje é hit no mundo pop. 
Considerada umas das cem pessoas mais influentes do mundo, a Diva é dona de um bumbum invejável e de um pique sem igual quando se trata de dançar. É a própria quem cria as coreografias de suas músicas, tanto para clipes quanto para performances em shows (que diga-se de passagem, é incrível!). 
Seu álbum de estréia solo, Dangerously in Love, e o seguinte, BDay, se mantiveram em primeiro lugar na Billboard 200 no lançamento, e as músicas Irreapleceable do primeiro e Single Ladies do segundo ficaram no topo do Hot 100 por um bom tempo. É uma das artistas mais premiadas da música, com 20 Grammys em sua carreira, e no cinema já foi indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar, por sua atuação no musical Dreamgirls e por sua canção original, presente no longa, Listen. 
Casada com o também cantor e produtor, Jay-Z, já vendeu 75 milhões de cópias e é considerada uma das cem maiores artistas de todos os tempos. Ela e o marido lideraram o topo da lista de casais mais bem pagos da Forbes, até 2015, quando perderam para Calvin Harris e Taylor Swift. Sozinha, em 2011 foi listada pela mesma revista como a mulher afro-americana mais poderosa dos Estados Unidos, e em 2014 se tornou a mulher mais poderosa do mundo (WHO RUN THE WORLD?)
Feminista assumida, sua banda é formada apenas por mulheres que, literalmente, destroem no palco.
Seu último álbum, homônimo, tem praticamente todas as músicas com foco no poder feminino pelo mundo. A canção Flawless representa bem isso, e a versão ao lado de Nicki Minaj é simplesmente genial.
Fanática pelo número "4", não por acaso, se casou com Jay (que faz aniversário dia 4 de dezembro) no dia 4 de abril. Seu quarto álbum de estúdio "4", também estreou no topo da Billboard e precedeu o anúncio da chegada de Blue Ivy (quase IV, o número "quatro" em algarismos romanos), e esta coluna que está saindo exatamente quatro dias após o aniversário de Yoncé (coincidência?). 
Premiada, maravilhosa, talentosa, fina, chiquérrima e DIVA, não poderíamos deixar passar essa data sem uma homenagem à altura. Por isso, eu selecionei uma playlist sensacional com 30 músicas da Mrs. Carter para entrar a semana com o pique de rainha.
Obs.: as canções foram escolhidas aleatoriamente, até porque escolher uma música preferida é tarefa impossível de concretizar. 


Playlist: B(eyoncé)Day!

1- Pretty Hurts
2- Partition
3- Halo
4-Drunk In Love
5- Love On Top
6- Run The World (Girls)
7- Irrepleaceble
8- Single Ladies (Put A Ring On It)
9- Best Thing I Never Had
10- I Was Here
11- If I Were A Boy
12- Haunted
13- XO
14- Countdown
15- Upgrade U
16- Broken-Hearted Girl
17- Sweet Dreams
18- Blue
19- Diva
20- Naughty Girl
21- Check On It
22- Why Don't You Love Me
23- Deja Vú
24- Ring The Alarm
25- Listen
26- I Care
27- Crazy In Love
28- Say My Name
29- 7/11
30- Flawless

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Coluna da Tati: O poder da igualdade

Hoje eu estava lendo algumas coisas na internet e parei para pensar: em que momento eu me tornei feminista? 
Calma, se você é menino não pare de ler esse texto aqui. O feminismo é importante e você vai entender por quê. Já você, menina que não sabe se é feminista, deixa eu te dar o caminho das pedras. 
O feminismo surge como forma revolucionária ao que as mulheres são submetidas na sociedade e à realidade imposta a nós pelo machismo. Como assim? Vocês devem ouvir muito por aí as expressões "para de ser mulherzinha", "vira homem", "lugar de mulher é no fogão" "não tem louça pra lavar não?", "essa profissão é muito masculina para você"... Pois é, se alguém já te falou alguma dessas frases, com certeza você sentiu na pele o peso da desigualdade de gênero. Nós estamos rodeadas de esteriótipos machistas e as vezes nem percebemos. 
Vocês sabiam que as mulheres pós-graduadas, em geral, recebem salários menores que os homens pelas mesmas funções exercidas por eles? Ou que uma em cada cinco mulheres já foi estuprada em algum momento da vida? Sabia que no seu país, é normal achar que as roupas que você usa são culpadas por você ter sofrido assédio sexual, ou que 16% dos jovens concordam que o homem pode agredir uma mulher se ela não quiser fazer sexo com ele (oi??)? E para piorar, sabia que a Lei Maria da Penha, que serve para proteger a mulher contra agressões, não diminuiu as estatísticas de 5 mil feminicídios por ano, 15, 5 por dia? Ou que muitas mulheres têm medo de seguir com a queixa contra seu agressor, porque sabem que ele não vai ser condenado e acabam permanecendo por anos num relacionamento abusivo e regado de medo? Pois é... Esses são só alguns dos dados que me fizeram abrir os olhos e entrar de cabeça no feminismo. Não apenas por ser mulher e querer ter a liberdade de falar palavrões ou amar a cor azul sem que me digam que "isso é coisa de menino", ou andar de vestidinho sem escutar os assovios e as cantadas desagradáveis. Mais ainda para ter a liberdade de escolher se vou me casar e ter filhos, ou se quero investir mais na minha carreira do que constituir família. Se quero jogar video-game com meus amigos ao invés de ir ao salão de beleza, se quero estar bonita sem que me digam que eu estou me arrumando para meu namorado. Eu me tornei feminista porque anseio fortemente pelo dia em que as mulheres poderão dizer que gostam de sexo sem que sejam tachadas de piranhas, vadias, "fáceis" e sejam condenadas por isso.
Busco valer a vida de todas as mulheres que foram condenadas à fogueira, todas que morreram simplesmente por serem mulheres e todas que se calam diante do sofrimento. Desejo o dia que o cenário político mundial será equilibrado entre mulheres e homens e que isso não seja estranho. Quero meu empoderamento, minha sororidade, meu lugar ao lado, não atrás nem à frente. Me tornei feminista por mim e por todo mundo. Porque, sim, não é só a população feminina que precisa do feminismo.
Eu acredito que feminismo não é só a busca pela igualdade dos gêneros, mas a luta pela quebra de qualquer opressão. Meu amigo, o machismo não desaba apenas sobre nós. Quando você é obrigado a agir de certa forma para demonstrar masculinidade, você está sendo oprimido. Quando te rotulam por gostar de algo denominado do universo feminino, você está sendo oprimido. Quando você se sente "menos homem" e tem vergonha de assumir que as vezes não está afim de transar, você está se oprimindo. Você, assim como eu, está sendo oprimido o tempo todo. Então, homem, se você se unir contra a opressão e for a favor da liberdade, que é o que o feminismo propõe, você também vai ser mais feliz. 
Antes de finalizar esse texto quero desconstruir uma ideia terrível que muitos têm sobre o feminismo e que na verdade não tem nada a ver com ele: o ódio aos homens. Amiga, você não precisa ser adepta da misandria para ser feminista. Os homens ainda vão fazer parte da sua vida, do seu ciclo como ser humano, do mundo em que você vive. Eu repudio o ódio gratuito, principalmente porque sou a favor de qualquer forma de amor. Eu não odeio os homens, pelo contrário, os amo tanto que os quero adeptos à luta contra a repressão ao LADO das mulheres. Eu não quero que o marido receba pena de morte por bater na esposa. Eu quero que ele não bata nela nunca para não precisar ir à forca.
Enfim, o feminismo é muito mais profundo do que um texto de poucas linhas e eu recomendo que se você se interessa, apenas saia dessa redoma de conformidade e se assuma como mulher (ou homem) disposta a dar a cara a tapa pela sua liberdade. Porque não há vergonha nenhuma em ser mulher, amar seu corpo, desejar alguém hoje e ficar com três caras numa mesma balada, deixar seus filhos na creche e sair para trabalhar, estudar engenharia ou arbitrar uma partida de futebol. Isso não te torna piranha ou masculinizada. Te torna dona das suas próprias vontades, do seu próprio corpo, do seu espaço. Ser feminista não faz de você um monstro, faz de você a "descendente das bruxas que não conseguiram queimar" e que vai além pela sua própria liberdade.
Ah, um bônus Filha de Frida, dessa que vos fala: abaixo um vídeo de uma vlogueira que eu acompanho, a Luisa Clasen, dona do canal Lully de Verdade que, além de falar sobre filmes, é feminista e te ensina a identificar se você também é. E melhor, ajuda a clarear a nebulosa dúvida do "o que é feminismo". 


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Coluna da Tati: The Power Of Madonna

Parem agora o que vocês estão fazendo, coloquem seus fones de ouvido e se preparem porque hoje a coluna é especial em homenagem à nossa amada e idolatrada RAINHA DO POP!
Ontem foi aniversário da nossa querida, lacradora e maravilhosa, Madonna.
Não há um ser sequer que nunca tenha ouvido pelo menos uma música dessa mulher. Eu pelo menos sou viciada em várias e não me canso de nenhuma delas, porque afinal, são todas inovadoras e incríveis como só MDNA consegue fazer.
Nascida em 16 de agosto de 1958, em Michigan, Madonna Louise Ciccone, é uma das mulheres mais influentes do mundo, não só da música mas em tudo que envolve cultura pop. Considerada pela Time uma das mulheres mais poderosas do século XX,  nossa Bad Girl tem uma lista enorme de casos famosos, como Sean Penn, Russell Brand, Guy Ritchie e Lenny Kravitz, além do (gatíssimo) modelo brasileiro Jesus Luz. 
Durante a década de 80 o seu estilo foi totalmente inspirador e marcante. Copiado por todas as adolescentes, as cruzes, as saias com meia rastão, o cabelo bagunçado, as pulseiras e o estilo rocker imortalizados por ela, com certeza fizeram parte do guarda-roupas da sua mãe.
Além dos muitos prêmios na sua carreira (gigantesca!) como cantora e compositora, Madonna também marcou o cinema e a moda. Considerada a artista solo mais bem sucedida da história da Billboard, com mais de 300 milhões de cópias vendidas e 10 turnês mundias, em 1997 a Diva foi premiada com um Globo de Ouro de melhor atriz pela sua atuação como Evita Perón, no musical homônimo. No mundo da moda ela mantém, hoje, uma coleção própria em parceria com sua filha mais velha (e cópia fiel), Maria de Lourdes, que carrega o nome de Material Girl.
Marcada pelas polêmicas envolvendo o seu jeito espevitado e desinibido, Madonna quebrou muitos tabus e paradigmas com o passar das décadas. Sendo uma artista além do seu tempo, aos 57 anos tem a voz, o corpo, o pique e o glamour daquela Rebel Heart que nasceu para o mundo dos holofotes e ganhou o público das diferentes gerações.
Para homenagear e comemorar as 57 primaveras da nossa Material Girl, eu separei uma playlist com 25 músicas que atravessam o tempo e a carreira de Madonna. Então, sem mais delongas, hey Mr. DJ put a record on!




Playlist: Happy BDay, Madonna! 

Obs.: as músicas foram colocadas aleatoriamente, a ordem dos fatores não altera o amor pelas canções, porque é o mesmo <3

1- Bitch, I'm Madonna 
2- Papa Don't Preach 
3 - Like A Prayer
4- Girl Gone Wild
5- Like A Virgin
6- Frozen
7- She's Not Me
8- Material Girl 
9- Crazy For You
10- Sorry
11- Justify My Love
12- Human Nature
13- La Isla Bonita
14- Into The Groove
15- Give It 2 Me
16- Vogue
17- Music
18- Celebration
19- Living For Love
20- Lucky Star
21- Open Your Heart
22- Ghosttown
23- Broken [I'm Sorry]
24- Angel
25- Hung Up

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Coluna da Tati: Oração pra salvar seu coração

Quando criança, a gente assiste aqueles filmes da Disney cheios de clichês românticos e começa a fantasiar uma vida inteira baseando-se na história que eles contam. A jornada do herói (da heroína, no caso) é sempre a mesma: a mocinha bonita e indefesa é ameaçada por alguma criatura maldosa que não quer sua felicidade, ela entra em perigo e eis que surge um homem lindo do meio do nada e eles se apaixonam. É amor à primeira vista e ela permanece ali esperando ser salva, porque ela sabe que aquele príncipe vai resgatá-la no último instante. Dito e feito. Ele destrói o vilão, resgata a mocinha, os dois se casam e vivem felizes para sempre. 
Você vai se desenvolvendo atada às histórias que os contos de fadas dissertam. Deseja com todas as forças encontrar o seu príncipe no cavalo branco, se apaixonar instantaneamente por ele e que ambos sejam o amor um do outro para sempre. Só um amor, pelo resto da vida. E então você começa a crescer...
Você provavelmente não considerou a hipótese de que ele não fosse um príncipe, tampouco que ele não se apaixonaria perdidamente por você. Passa noites em claro pensando no que a Cinderela teria feito se fosse com ela ou se sua mãe já passou por isso também. Ele anda de ônibus e não tem coragem nem de enfrentar o irmão mais velho, quem dirá o dragão que "vai te sequestrar e te prender na torre". Só que, diferente dos anteriores, esse é especial de verdade. Não foi instantâneo, você olhou para ele e achou estranho como ele anda desengonçado, mas os olhos dele te sorriram de uma forma tão singular que você pode até achar que não tem nada a ver, mas o jeito que ele te cumprimentou com o levantar das sobrancelhas, despertou uma coisa maluca e nova em você. 
Vocês se tornaram amigos e passaram a dividir cada experiência do dia um com o outro. Foi na espera das ligações, das mensagens, do esbarrão pelos corredores da escola, foi exatamente aí que você teve a certeza de que podia estar amando esse cara. Provavelmente depois de alguns encontros vocês se conheceram melhor, ficaram juntos e alguns contratempos atrapalharam o romance. O problema surgiu quando você percebeu que você era dele, mas ele estava longe de ser seu. Ele simplesmente sumiu, parou de te ligar, começou a evitar os corredores quando sabia que você poderia aparecer ali. Ia embora mais cedo, ou mais tarde só para não ter que te encarar. Aí ele virou o vilão das histórias infantis e você não tinha mais príncipe para te salvar, só sua própria força. Você perguntava aos amigos dele como ele estava e as respostas eram as mesmas, sempre vazias e sem sentido. Você ainda tinha na cabeça aquela velha história de que se ama só uma vez na vida. Achava que esse cara, independente de todas as coisas ruins - problemático, distante, confuso e medroso - seria o único que faria seu coração pegar impulso na boca do estômago e entalar no meio da garganta. Doeu, feriu e sangrou. Até o instante em que você decidiu ser a heroína no cavalo branco da sua própria história e acabar de uma vez por todas com esse vício de destruições em massa, colocando-o no seu devido lugar: no passado. Vocês nunca mais se viram ou se falaram. Sabe-se apenas que ele ainda anda por aí arrasado com os mesmos dilemas de sempre, nada mudou. 
Mas eu mudei. Mudei bastante desde o dia que ele levantou a sobrancelha para mim e mais ainda no dia em que decidi colocar um ponto final nesse capítulo da minha vida. E quando paro pra pensar, percebi que desconstruí o meu conto de fadas.
É... Até alguns anos atrás eu realmente acreditava que a gente era capaz de amar somente uma pessoa a vida toda. Mas, olha que loucura: é bizarra a ideia de amar para sempre uma pessoa que bateu e não ficou. Com o acúmulo de mancadas, quedas e cicatrizes, eu mal percebi que podia tirar alguma coisa boa de tudo isso, como tanto me disseram. Eu demorei a perceber que a gente nasceu para amar. Percebi que cada segundo foi crescimento. O meu amadurecimento depende das minhas ações e das reações que elas causam. Eu não tenho mais 14 anos e hoje a minha visão de mundo é bem diferente da de cinco anos atrás. Eu vejo como Lulu Santos: a vida melhor no futuro.
Eu mudei de lugar algumas vezes e mudei umas certezas também. Descobri que a gente pode sim amar mais de uma vez, e que um amor não anula o outro. Cada amor é singular e único. Mas você tem que ter o discernimento de que continuar insistindo num vendaval, vai te causar muito mais dor e sofrimento do que se ater a amar a calmaria do abrigo à frente. 
Ele é seu primeiro amor. Eu pretendo ser o último.
Eu amei um amor pesado, instável, maluco, fora dos eixos e que me arremessou do céu ao inferno inúmeras vezes. A gente não teve culpa se não deu certo. Eu não tive culpa de ele ter ido embora (como muitas vezes nós pensamos "será que o problema sou eu?"), ele não teve culpa da necessidade de outros quereres. Hoje eu sei que cada experiência é válida, ainda que machuque. 
O segredo é se permitir amar de novo. É preciso coragem para seguir sobre os cacos do seu teto de vidro que despencou na sua frente. Mas, amores vem e vão e cabe a você decidir quando ele vai vir e ficar. Se o amor foi pesado e carregado, a hora não é de deixar morrer a esperança de que a sua alma vai encontrar outra que te transborde ao invés de te sugar. Um amor leve e gigante te espera em algum lugar. Na esquina da sua casa, na mesa de trás, na sala de aula ou no caminho para o trabalho tem alguém esperando para te amar. E depois de parar e curar suas feridas, restarão apenas cicatrizes. O que importa é se você está bem com sigo mesma, livre das suas cobranças e pronta para sair em resgate do seu príncipe da vida real. O lugar de cada amor fica, mas o bom de tudo isso é que o seu coração nunca vai cansar nem diminuir enquanto você não for feliz. Porque, cá entre nós, a única coisa verdadeira que você vai tirar dos contos de fadas é o feliz para sempre. Começando pelo seu próprio na vontade de se abranger no de outra pessoa. 



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Coluna da Tati: Chegadas e partidas.

Eu nunca fui boa com finais de festas. Nem com inícios.
Aquela coisa de ter que me despedir de quem restou no ambiente é tão constrangedora quanto chegar e ter que encarar e cumprimentar cada rosto conhecido e desconhecido. Os anfitriões, seus familiares, a namorada do primo de fulano que faz arquitetura... 
Que bom seria se essas formalidades e a mania constante de rotular não nos perseguisse tanto. Imagine chegar em algum lugar, sem ter que se preocupar em dar dois beijinhos e um sorriso amarelo para cada criatura presente! Tenho certeza que os esbarrões com desconhecidos renderiam, enfim, sinceridade na tão comum indagação "oi, tudo bem?". As conversas seriam tão mais reais, os beijinhos dariam lugar a bons abraços, os sorrisos amarelos à novos amigos. Novos amores, nasceriam de um simples encontrão, de uma dança inocente, de um "nossa, eu sou irmã da fulana, de onde vocês se conhecem?". O abraço bom e apertado de "quanto tempo" daquele velho amigo seria a coisa mais bela de se captar...
Chegar de mansinho, pegar uma bebida e se distribuir entre as tribos. Se todos fizessem o mesmo, no fim da festa seríamos uma tribo só. E as despedidas seriam dispensáveis. Ao invés do "tchau, se cuida" deixaríamos lugar para aquela incógnita presa na vontade de nos encontrarmos de novo. Eu sempre acreditei que um beijo ou um aperto de mão, não cabem como conclusão de uma boa e longa conversa. Por que estragar com despedida se a gente nunca sabe se os segundos seguintes serão nossos? Eu prefiro um abraço com cara de "esse não vai ser o último", a um "nunca mais" travestido de "até logo". 
Já pararam para pensar que a sensação maravilhosa de rever alguém que tanto você quer bem, vai ser anulada pela desolação de ir embora depois? Maldade é deixar seu coração se encher da doçura na chegada e, sem aviso prévio, deixá-lo sentir o amargor da partida. Seria incrível se pudéssemos deixar congelado no tempo os risos soltos das conversas leves... Dizer não ao peso de um adeus, aceitar de braços abertos o "olá" de amanhã ou de daqui dez anos. 
Na minha concepção maluca de mundo, a gente deveria chegar na vida de alguém sem convite, sem apresentações, sem futuras despedidas. Se estagnar num momento e permanecer ali para sempre, torná-lo palpável nas lembranças e ter a certeza de poder voltar a vivê-lo quando quisesse.
Não me despedir, não ser obrigada a formalidades milenares. Quero ser surpreendida nos encontrões dos corredores, nos olhares trocados, nas risadas saborosas das novas amizades. Fazer da minha vida uma festa constante e deixar os penetras inesperados entrarem e me revestirem de novidades. Só chegadas, sem partidas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Coluna da Tati: Sessão Pipoca - Os musicais (PARTE 2)

E então, deu tempo de assistir todos os filmes indicados na parte um? Se você não faz ideia do que eu estou falando, antes de começar dê uma passada AQUI!, veja a primeira parte dessa lista e depois corre pra conferir!
Se você já viu todos os filmes anteriores (ou quase, vai ><), eu espero ter arrancado pelo menos uns dois versos, algumas lágrimas e umas dancinhas (além de um amor florescendo por essas maravilhas cinematográficas, hahaha) 
Continuando com a parte dois, vamos aos meus cinco musicais preferidos...

Dez filmes musicais que você PRECISA assistir antes do fim do mundo (da Broadway!)

5- Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007)



É inegável que o bromance Burton-Depp ganhou o mundo do cinema e originou obras imortalizadas pela genialidade da cabeça maluca de Tim e falta de escrúpulos de Johnny. Também é óbvio que algumas dessas adaptações não funcionaram muito bem (olá, Sombras da Noite), mas em sua maioria a parceria é certeira. Não consigo imaginar outro diretor nem outro elenco que trouxesse tão bem ao cinema a arte macabra de Sweeney Todd. 
Johnny Depp dá vida ao protagonista, um barbeiro sombrio marcado por um passado devastador que o corrompe de forma trágica e irreversível. Há anos, viveu com sua esposa e filha na bonita cidade de Londres, como um barbeiro famoso, Benjamim Barker. Depois de ter sua vida roubada por um juíz corrupto que tinha obsessão pela sua esposa, Benjamim fora exilado. Voltando como Sweeney Todd, ele conhece a nefasta Senhora Lovett, dona de um restaurante falido que em seus dias de ouro fazia as melhores tortas de carne da cidade. Corrompido pela dor e desejo de vingança, o rapaz continua seu ofício como barbeiro e se une à mulher louca para juntos trazerem o restaurante de volta à sua glória, escondendo um segredo nos fundos do lugar e um ingrediente secreto nas tortas. 
A atuação de Johnny Depp é o ponto marcante do filme. Sabe aquele jeito expressivo e único que ele tem? Pois é, fica tão intenso e sombrio que você vai sentir medo e pena de Todd ao mesmo tempo. Além do lindo, o elenco conta com Helena Boham-Carter (com aquela química maravilhosa deles dois), Sacha Baron Cohen, Alan Rickman (com aquela expressão facial eterna de Severus Snape), Timothy Spall (nem Perebas, nem Rabixo) e músicas doloridas, sofridas e maravilhosas. Vale a pena conferir e se emocionar no final!

4- Chicago (2002)




Um filme que eu não me canso de ver e já tenho decoradas todas as músicas para quando fizer minha audição para o papel de Velma Kelly. Ambientado na década de 20, Chicago conta a história de Roxie Hart, uma mulher que vai presa por assassinar seu amante. Na cadeia ela é levada à Ala das Assassinas onde conhece a carcereira interesseira Mama, outras assassinas de maridos/parceiros e entre elas Velma Kelly, uma famosa dançarina de cabaret presa por assassinar a sangue frio sua irmã e seu marido que a traíram. Para se livrar do processo e da forca, Roxie recorre ao cínico advogado Billy Flinn, que com pouca honestidade e muita lábia, nunca perdeu um caso sequer na cidade mais corrupta da América. 
Além das músicas maravilhosas (detalhe para o Cell Block Tango que arrasa), o filme conta com seis prêmios Oscar além da atuação memorável de Reneé Zelwegger, Catherine Zeta-Johnes, Queen Latifah e Richard Gere em sua melhor performance de pilantra do cinema como Billy. A parte, também temos uma boa dose de feminismo, sensualidade e danças sensacionais e você pode até assistir o musical na versão brasileira estrelado por Danielle Winits e Daniel Boaventura no YT. Se apaixone, por all that jazz ;) 

3- The Rocky Horror Picture Show (1975)




Abrindo o pódio desta lista, nenhum outro faria melhor que TRHPS. Uma palavra para essa pérola dos anos 70: Polêmico. 
Brad e Janet acabaram de ficar noivo e, ao decidirem ir atrás do professor de faculdade que os apresentou para agradecê-lo, no caminho o pneu do carro fura obrigando o casal a se refugiar numa mansão bizarra próxima do local. Entretanto, o que eles encontram é um lugar cheio de pessoas malucas e diferentes, além do próprio dono da casa, o cientista Dr. Frank N Furter, um travesti vindo da Transilvânia Transexual, um mundo paralelo. Além disso ele está criando uma criatura: um homem louro e belo, para satisfazê-lo em seus dias de tédio. Durante o tempo que ficam na mansão, o casal é afetado diretamente pela psicose dos que vivem ali e o final, você precisa ver para entender...
Bom, se ser"polêmico" não te convenceu, talvez alguns fatos interessantes o façam: no Brasil só foi exibido com cinco anos de atraso devido à censura da ditadura, o conteúdo sexual é um grande fator que contribuiu para isso; Tim Curry está em um dos seus papéis mais primorosos (além de It!), arrasando como um travesti enorme num salto altíssimo; as músicas são divertidas e convidativas, as danças também (da pra criar um flashmob com Time Warp); se você já assistiu As Vantagens de Ser Invisível, com certeza viu o Logan Lerman de Rocky, Emma Watson de Janet e Ezra Miller de Dr. Frank, agora assista a origem disso tudo. 

2- Les Misérables (2012)




Preciso parar de cantar e secar minhas lágrimas antes de falar de Les Mis. Baseado na obra homônima de Victor Hugo, a história se passa na França (de novo!) do século 19. Em meio à misérias, sofrimento e dor encontramos Jean Valjean, um homem condenado à 19 anos de trabalho escravo por ter roubado um pão. Quando finalmente recebe seu ticket de soltura, ele percebe que a liberdade está mais longe do que imagina, devido principalmente ao carrasco Inspetor Javert, que o persegue durante toda sua vida em nome da lei. Jean Valjean recebe a ajuda de um padre, que lhe dá uma cara prataria em troca de que ele viesse a ser um homem bom e honesto. Com o dinheiro das peças, Valjean reconstrói sua vida em outro lugar e com outra identidade. Passam pela vida de Jean Valjean personagens marcantes e essenciais, como Fantine, uma mulher largada pelo pai de sua filha e que trabalha unicamente para sustentar a menina que vive com um casal de pilantras, os Thenardier. Pais de Éponine, apaixonada por Marius, que conhece Cosette e se apaixona perdidamente por ela, que por sua vez é a filha de Fantine salva anos antes por Valjean a pedido de sua mãe... 
Num ciclo de Revoluções, sofrimentos, amores, dor e tristeza, o filme é uma tragédia que mesmo passando por todo o escárnio humano, deixa uma sombra de esperança ao fim de cada canção. Com as músicas originais do musical, a versão de 2012 inteiramente cantada mereceu a repercussão e os tantos prêmios. Com atuações marcantes de Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russel Crowe, Eddie Redmayne entre outros, é impossível não se apaixonar e se emocionar. 
Se você quiser, pode assistir também a versão anterior com Liam Neeson e Uma Thurman, não é cantada mas também vale a pena, além claro, do Concerto, do Musical em si e do livro que é (enorme!) incrível.

1- O Mágico de Oz (1939)




E para finalizar, um filme que precisa ser visto por todo, T O D O, mundo. Além de ser o mais antigo desta lista, O Mágico de Oz é o meu filme preferido da vida, sim. O conceito, a lembrança da infância, tudo me faz rever esse filme sempre que posso.
Baseado na obra de Frank Baum, a história é sobre a menina Dorothy que vive triste e infeliz na sua vida pacata e limitada do Kansas e um dia, durante uma tempestade, vê-se presa dentro de sua casa. Quando em terra firme, Dorothy e seu cachorro Totó acabam numa terra fantástica, cheia de magia. Após conhecer Glinda, uma bruxa boa, a menina descobre que é a heroína do povo daquela terra por ter derrubado sua casa em cima da Bruxa Má do Leste,  que aterrorizava os habitantes. Entretanto, para voltar para casa Dorothy precisa encontrar Oz, o Grande Mágico na cidade das Esmeraldas. Durante o caminho ela encontra um espantalho à procura de um cérebro, um homem de lata que deseja um coração e um leão covarde em busca de coragem. Juntos eles enfrentam os obstáculos da Terra de Oz para conseguirem chegar ao Mágico e terem seus desejos concedidos. 
Pode parecer bobagem, mas, acredite, não é. A história de Dorothy é nada mais nada menos do que as nossas histórias. Eu, particularmente, sempre me vi como um pouco de cada personagem. A garota em busca de aventura, de sabedoria, de amor, de coragem e no fim ainda com desejo de voltar para casa. Cada metáfora nessa história, é uma leitura de mim. E deve ser de você também!
Nessa adaptação de 1939, Judy Garland dá vida e voz à sua primeira personagem de destaque, Dorothy. Além de ser um filme à frente do seu tempo, é um marco na história do cinema quando se trata de "cores". Para vocês terem ideia, os recursos para esse longa eram tão expansivos, que a MGM quase foi à falência e só se recuperou com o retorno. Ainda temos as músicas que contam uma história por si só, além da clássica (e muito regravada) Somewhere Over The Rainbow. 
Bom, muitas curiosidades circundam esse filme, inclusive uma polêmica história relacionada com o álbum The Dark Side Of The Moon da banda inglesa, Pink Floyd, o que vem a ser assunto de outro (mais um!) post, hahaha...
Você pode ter assistido a versão de 2013 estrelada por James Franco, mas a história em foco é a do próprio mágico e eu, não querendo ser a chata das versões originais, mas ja sendo, não gostei muito. Para quem não leu o livro ela pode ser confusa e abstrata demais.

Enfim, espero que vocês tenham gostado desse tipo de post, da lista de filmes e que os assistam em algum momento de suas vidas. Se odiarem ou amarem, não importa, afinal qualquer forma de expressão da arte é importante. O bom é que você experimentou coisas novas e qualquer tipo de experiência, principalmente cinematográfica, é válida. 




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Coluna da Tati: Sessão Pipoca - Os musicais (PARTE 1)

A música é a manifestação mais singular e expressiva do ser humano. Com a música você se transparece de uma maneira real e fantasiosa ao mesmo tempo. O poder da música é tão grande que além de ter sua personalidade facilmente descrita pelo tipo de música que você escuta, até algumas espécies de animais são suscetíveis às maravilhas de uma boa melodia para acalmarem os ânimos e relaxarem (acreditem, pesquisas comprovam que os tubarões brancos se acalmam ao som de AC/DC!). 
Do outro lado, o que é o cinema se não a maior invenção do mundo? Abençoados sejam os irmãos Lumiére e seu Cinematógrafo que, num súbito momento de compaixão com a humanidade, deram sentido às pacatas vidas dos meros mortais das suas e das seguintes gerações. O teatro traz vida ao mundo, o cinema traz magia ao teatro. Cá entre nós, cinema é bom em qualquer momento. Com a galera, com a família, à dois, sozinho... Ainda que o filme seja ruim, a experiência de ver uma história ganhando vida diante dos seus olhos, é sempre única e imensurável (até os "besteiróis" têm seu valor, hahaha). Sendo assim, unindo o útil ao agradável e, não satisfeitos com o melhor dos dois mundos, surgiu então a ideia de dar vida aos roteiros "apenas" transformando-os em música, surgindo assim os filmes musicais.
O teatro é o grande responsável por todo esse desenrolar de artes maravilhosas e apaixonantes, e claro, seria loucura não creditar a ele, o mestre do drama, o berço dos musicais. Porém, o meu objetivo hoje é fazer você se apaixonar pelo lado musicado do cinema (lembre-se: roteiro musicado, não trilha sonora), e guardamos o teatro pois ele é assunto para outro dia.
Nos meus anos de cinéfila, já assisti a muitos musicais, e sinceramente, é difícil fazer uma lista sucinta com os meus preferidos. Entretanto, o meu intuito com esse texto é abrir a cabeça daqueles que tem preconceito com eles (e são muitos) e àqueles que assim como eu, não vivem sem música e sem filme, uma ideia do que assistir na próxima sessão pipoca/karaokê. Sem mais delongas, acompanhe a MINHA lista, dividida em duas partes, com...

Dez filmes musicais que você PRECISA assistir antes do fim do mundo (da Broadway!)

Obs.: Vale lembrar que essa lista é pessoal, ou seja, não significa que são os melhores e mais bem conceituados. Ah, e eu separei apenas os filmes baseados em musicais da Broadway.

10- Mamma Mia (2008)


Sophie vive numa ilha grega e está prestes a se casar quando descobre um antigo diário de sua mãe, Donna, no qual ela descreve momentos incríveis com três antigos namorados. Supondo que um deles seja o seu pai, Sophie os envia convites do seu casamento sem que sua mãe saiba. Surpreendida pela visita dos ex's, Donna se vê numa situação cômica e embaraçosa diante do seu passado e do futuro de sua filha. Embalado pelas memoráveis canções do ABBA (Gimme gimme a man after midnight... <3), o filme conta com atuações impagáveis de grandes atores, como Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan e Amanda Seyfried. 

9- Moulin Rouge: Amor Em Vermelho (2001)



Em 1899, o poeta Christian conhece a vida boêmia, amoral e cheia de paixão de Montmartre em Paris. Cortesia do bordel mais famoso do local: Moulin Rouge. Num momento de sorte (ou azar) ele é confundido com um duque e acaba sendo arrastado à um quarto por Sabine, a solista mais sensual e bela do lugar, se apaixonando perdidamente por ela. 
O filme é lindo! Tem aquele clima vintage e burlesco da época que faz a gente querer trocar de lugar com os personagens (principalmente pelos figurinos *--*). Em contrapartida, o filme se torna atemporal por ter músicas atuais, conhecidas e imortalizadas (Smell Like Teen Spirit e Diamonds Are A Girls Best Friend podem sim estarem juntos no mesmo longa). Conta com Nicole Kidman no papel de Sabine e Ewan (lindo!) McGregor como Christopher.

8- Grease: Nos Tempos da Brilhantina (1978)




Se você já foi a alguma festa estilo anos 50/60, com certeza já usou vestidos como o da pura e ingênua Sandy (look Sandra Dee, alma de Rizzo: estamos de olho, hem!). Já sonhou com um bad boy estilo Danny Zuko, e desejou com o coração ir à um cinema drive in com ele. Bom, provavelmente sua mãe já. Ambientado na Califórnia do fim da década de 50, Grease conta a história do casal Sandy e Danny que se conhece durante as férias de verão e se apaixonam, porém têm o seu relacionamento abalado pela volta às aulas, o comportamento esnobe dele e mimado dela. Recheado dos esteriótipos de filmes adolescentes americanos, com gangues, grupinhos, patricinhas e antagonistas cômicas, esse mostra exatamente o tipo de vida dos jovens da época. 
Foi em Grease que nós conhecemos os dotes dançarinos de John Travolta, que se intensificou em Saturday Night Fever, e a voz linda de Olivia Newton-John (PHYSICAL!). Além das músicas que marcaram e vão passando de geração em geração, porque com certeza você já ouviu Summer Nights (mesmo o riff emprestado ao One Direction) e o formato do longa serve de base para muitos filmes que fizeram parte da sua infância de Sessão da Tarde e Disney (nenhuma semelhança entre Travolta e Zac Efron?) 

7- A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971) 




Ah, essa lista não faria o menor sentido se eu não colocasse os filmes que me introduziram ao mundo dos musicais, como é o caso desse. O longa conta a história de Charlie, um menino pobre e humilde que, assim como mais quatro crianças, encontra um bilhete dourado dentro das famosas barras de chocolate Wonka, servindo como ticket de entrada ao mundo colorido e fantástico da Fábrica de Doces de Willy Wonka (dizem que no mundo inteiro não há melhor confeiteiro). Lá eles conhecem os segredos e as maravilhas da maior e mais misteriosa fábrica de chocolates do mundo, assim como o seu fundador. Oompa-Loompas, balas intermináveis, chicletes refeição, cachoeira de chocolate e músicas inéditas e inesquecíveis. Provavelmente você já viu o remake de 2005, dirigido por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp, mas não se contente com ele. A versão original de 71 é infinitamente superior e completa. A atuação de Gene Wilder como o Mestre Wonka já vale muito o filme, e, numa época em que recursos visuais eram precários, esse filme consegue te introduzir ao mundo da fantasia e inocência, sem perder o encanto um segundo. Você ainda tem a opção de ouvir as canções em versões dubladas e legendadas, o que poucos musicais oferecem. Vale a pena!

6- O Fantasma da Ópera (2005)


   

Baseado na obra homônima de Gaston Leroux, O Fantasma da Ópera faz parte da cultura mundial há tanto tempo que não há um cidadão que nunca tenha ouvido falar deste que vive no subsolo da Ópera de Paris. De muitas versões que existem dessa obra, além do Concerto, o filme de 2004 é a que eu mais gosto. Por que? Bom, começando pelo mérito de que permanece totalmente fiel ao musical original, além de trazer canções originais, e uma química sensacional entre Emmy Blossom e Gerard Buttler. Ah, o que já nos leva ao segundo ponto: Gerard Buttler cantando. Quem diria que por trás do herói, que você conheceu primeiro em "300", existia um Erik sensível, intenso e dono de uma voz MARAVILHOSA? Pois é... Tanto que conquistou não só meu coração como os dos diretores, que preferiram ele ao John Travolta e Antonio Banderas. 
O filme começa com um leilão na antiga Ópera de Paris, onde um lustre faz o Visconde Raul lembrar da história por trás da decadência do local e dos que por aquele lugar viviam. Como era o caso de Christine, uma menina órfã que vivia aos cuidados de Madame Gery e que tinha a música como paixão. Guiada e ensinada desde criança por uma misteriosa figura, a qual ela se refere como seu "Anjo da Música", Christine tem o sonho de protagonizar a Ópera. Quando ela, finalmente consegue ser ouvida, ela descobre a verdade por trás de seu "anjo", um homem misterioso que vive no subsolo do lugar e esconde uma triste história. Obcecado por Christine, o Fantasma não aceita quando ela se apaixona por Raul, um antigo colega de infância. Dai surge uma trama emocionante, regada por horror, dor e músicas eternizadas.
Se algum dia, alguém já te assustou com o piano do início do tema do Fantasma, já está na hora de você assistir o filme e ver que por trás do terror, existe uma linda história de amor.

Bom, você tem uma semana para colocar em prática e assistir esses filmes. Dance, cante, se emocione e principalmente, se apaixone!
Te espero com a parte dois dessa lista na semana que vem ;)

BÔNUS: Tenacious D - A Palheta do Destino (2006) 



Ok, eu admito que pensei um pouco antes de adicionar esse aqui por duas razões: ele não é exatamente um musical, tampouco da Broadway e é muito maluco. Mas, não seria nada honesta se deixasse de fora um dos meus filmes preferidos só por ele ser "diferente" Por isso é um bônus especial, para você que assim como eu, ama essas coisas bizarras que só o cinema proporciona. 
Aqui vocês vão encontrar dois caras à procura de uma palheta que os levarão ao topo do rock (não tem como não amar, galera, por favor!). Jack Black dá vida à JB (hem?), um cara considerado a ovelha negra de uma família muito religiosa, que tem desde criança, o sonho de ser uma estrela do rock n' roll. Guiado pelo amor por seus ídolos, ele foge de casa e vai até Los Angeles onde conhece KG com quem cria uma banda. Apesar dos esforços, ambos têm um bloqueio criativo e decidem ir em busca de uma estranha palheta mágica que supostamente fora responsável pelo sucesso de grandes bandas, como Led Zeppelin, The Who, AC/DC.
As músicas são muito engraçadas, os diálogos são impagáveis, é tudo bem esteriotipado e temos Jack Black em sua versão mais pura, ele mesmo. Eu admito que sempre adorei esse cara, e unir a paixão dele pelo rock à comédia foi coisa de gênio. Se não for sua praia, vale pelas risadas (e pela voz do Jack que realmente é de uma estrela do rock, mas isso você sabe desde Escola de Rock).






segunda-feira, 13 de julho de 2015

Coluna da Tati: Um Olá e o Feitiço do Tempo

Olá, culpadas! Sou a Tati, a nova (com disposição de 80) componente do blog A Culpa é da Vogue e vou trazer toda segunda às 10 essa coluna que se inicia já. Mas antes de ir ao que interessa, vamos às formalidades e devidas apresentações. Meu nome é Tatiana Castro, sou estudante de jornalismo, tenho 18 anos, sou apaixonada por séries, cinéfila, leitora assídua, desbocada livre e diferente das meninas que vocês já acompanham, o meu relacionamento com a moda é de longe um namoro típico iô-iô, de altos e baixos. Não que eu saia de casa com um casaco de tricô amarelo, calça verde de couro sintético e galochas vermelhas. Eu não sei de moda, mas tenho noção de que calça de couro sintético deve ser muito incômoda, não é mesmo? Enfim, o meu forte é escrever. Por isso, vim com a missão de escrever sobre tudo um pouco para vocês. Sobre o que eu gosto, sobre indicações, uma ajudinha aqui, uma notícia ali e por aí adiante. Sejam bem-vindos às minhas paixões compartilhadas e espero que vocês curtam a minha companhia.

***

Sabe quando você conhece uma coisa e de repente se vê preso naquilo por semanas e acha que se não usufruir disso vai ter compulsão ou entrar em abstinência? A sua necessidade é tamanha, que você se obriga a entrar num looping eterno com a sua descoberta e esquece o mundo à volta. Algumas pessoas pensam que só drogas viciam, mas eu nunca ouvi babaquice maior.  As vezes é uma música que tem a melodia mais convidativa e a letra que descreve a sua vida, que acaba não saindo mais da sua playlist e você diz que vai deixá-la em replay para sempre. Outras vezes é um filme antigo do seu diretor preferido e que coincidentemente tem aquele ator que você encucou que precisa receber um Oscar por cada trabalho que faz. E se for aquela sandália que incrivelmente combina sofisticação, beleza e conforto que você só quer usar ela o tempo todo? Ah, e aquela comida que você descobre que tem o sabor do céu e quer ter uma porção dela diariamente? E quando surge aquele cara que tem um cheiro tão bom, gostos parecidos com os seus, acelera seu coração, faz sair faíscas de dentro de vocês, e que mesmo que seus amigos falem do caráter duvidoso dele, você precisa tê-lo na cabeça o dia inteiro e até planeja seu futuro com ele? Bom, eu sei exatamente o que é isso. Sou ansiosa compulsiva e me apego tão fácil às coisas que esse fenômeno de vício/amor instantâneo acontece comigo sempre.
Quando você vicia em algo assim, parafraseando Gus Waters, deseja que aquilo vire uma pessoa (se já não for) para você levá-la até Las Vegas e se casar com ela. A sensação de saciedade só se dá se você tiver aquilo ao seu alcance, e o mais engraçado é que esse fenômeno nos acompanha em todas as fases da vida. Pois é, fases. Se você parar para pensar, aquela Barbie nova só foi nova por um dia, mas você se viu na necessidade de brincar com ela todos os dias, até que de repente, puf! Ela perdeu o encanto, foi morar na sua prateleira e você já estava procurando algo novo para brincar. O mesmo aconteceu com seu CD do Rouge, com o seu gloss de morango, com sua primeira sandália de salto, com um doce maravilhoso, e assim por diante. Nós somos criaturas que têm a necessidade de ser e pertencer às coisas durante toda a vida. E se aquilo deixa de te fazer bem, você simplesmente precisa parar de usar para não se chatear. Somos furtivos e procuramos refúgio o tempo todo, mesmo sabendo que daqui a pouco já queremos mudar de novo. Uma hora aquela música começa a te trazer lembranças e se torna tão insuportável que até o seu celular quer expulsá-la da playlist. A sola da sua sandália maravilhosa fica tão gasta que você sente até o asfalto quando pisa com ela. Você começa a ter náuseas só de ver a cara do ator no filme e dos erros de continuidade que o diretor deixou passar. A comida que antes era o céu, agora te causa enjoo só de olhar. Você, enfim, percebe que precisa se desintoxicar de tanta repetição e procura por outras coisas que daqui uns meses serão descartadas da mesma forma que as anteriores, chegando à estaca zero da sua próxima fase.
Entretanto, para seu alívio, chega uma hora que você descobre algo genial e para de procurar abrigo em cada esquina da sua vida. Você descobre uma banda e se apaixona por todas as músicas dela, e é sempre a mesma sensação quando você fica dois dias seguidos escutando, pára por meses, e volta com outro álbum. Sua mãe faz uma comida especial e você sente que vai adorar aquele prato mesmo que fique meses sem comê-lo. Encontra um novo diretor de cinema que tem uma filmografia maravilhosa e percebe que aquele ator específico não é tão bom assim, mas ainda revê todos os filmes do seu diretor preferido e ainda torce pelo Oscar do galã. Você descobre a famosa MODERAÇÃO que se faz necessária quando passa a amadurecer, e com ela a busca por coisas novas, pelo conforto de não precisar mais fugir. Você percebe que as suas necessidades mudam conforme você amadurece, e para de insistir em coisas passageiras, como aquele garoto que causou uma paixão avassaladora, dolorida, te desconcertou, te tirou do eixo e mesmo assim você insistia em passar cada segundo do seu dia pensando nele. A sua necessidade agora é de tirar de si todo o mal que essa insistência crônica te causou e buscar algo palpável que te faça se manter equilibrada e acolhida ao mesmo tempo. E é com esse "príncipe" da vida real que você vai planejar um futuro. Ouvindo músicas novas, comendo doces inusitados, vendo os filmes que ele gosta e mostrando a ele os que você ama.
Pode parecer confuso, mas o seu crescimento depende dos vícios de cada umas das suas fases. Não que você vá parar de ter paixões instantâneas e vícios frenéticos. Você ainda vai tê-los porque é natural, e ainda vez ou outra vai ouvir aquela velha música, comer aquela velha comida, lembrar daquele cara que te deixou maluca e que deve estar por aí sacaneando com alguém. Mas o tempo vai te ensinar a ter a convicção de que o importante é não ficar presa no que é passageiro e nem insistir no que te destrói. Você é uma criatura em constante mudança e adaptação, vai amar e odiar coisas o tempo todo. Mas não se preocupe, porquê as coisas e pessoas que te mantém nos eixos, te fazem bem, te consolam e fazem seu coração bater mais forte, são as verdades que permanecerão com você em todas as fases da sua vida.